21/02/2017

Na espera

Estou no sala de espera do consultório da minha médica. Reta final da indução, estou acompanhando com US diariamente e a punção deve ser na 5a feira.
Tudo correndo como o esperado. Que talvez seja o problema maior, porque o esperado era ruim.
No 2o US, a radiologista viu que apenas 4 foliculos estavam crescendo bem e mais 2 pequenos, que provavelmente não acompanhariam. E não acompanharam. Hoje, estou no 12o dia de induçao, com apenas 4 folículos.

Confesso que estou sem expectativa nenhuma.
No dia do 2o US, tive a sensação de que a minha chance já tinha acabado. Chorei 24h, chorei entre um paciente e outro, chorei muito sozinha na minha casa. 4 folículos é muito pouco.

Sei que eu preciso "só de um", mas no meu caso, devido ao mosaico, preciso de 1 blastocisto que passe por pgd e seja perfeito. Ou seja, é um caminho bem dificil de fazer.

Eu decidi que essa será a 2a e última tentativa de conseguir com meus óvulos. E se não der, parto pra ovodoação.

Não sei se estou preparada, mas simplesmente não dou conta de tanta tristeza e tantas frustrações. Eu quero muito ser mãr e viver essa dúvida está acabando comigo e me tornando uma pessoa muito infeliz.

Não sei o que esperar. Também não consigo mais implorar a Deus, porque Ele sabe dos desejos mais profundos do meu coração, mas também sei que Ele só faz as coisas no Seu tempo, que infelizmente é diferente do meu.

Mando notícias.
Um beijo e um bom carnaval a todos!

13/02/2017

Notícias

Até que enfim, deu certo de começar o tratamento.

Lógico que não poderia ser de forma muito calma e simples, porque daí seria outra pessoa.

Resuminho:

Tomei anticoncepcional por 20 dias. Parei 1 dia antes na certela, porque esperava menstruar na terça dia 07, o que não aconteceu. Menstruei na quarta, dia 08.

Dia 09 colhi meus exames - lindos!! Primeira vez na história que fiquei emocionada com o resultado de um exame: FSH 5,52 (menor da vida), LH 4, 56, estradiol 6,69 e progesterona de 0,41. Aco fez efeito!

Um dia por semana eu fico 13 horas em outra cidade, que por acaso, foi no segundo dia do ciclo! (Por isso torcia pra menstruar um dia antes...) Então, só consegui colher os exames às 6h da manhã e esperar ansiosamente o dia todo por eles...

Marquei o US pro dia 10, 3o DC.
Fiz com o mesmo médico que tenho feito todos os US, porque é mais fácil não ter que explicar a minha história todas as vezes.
Das últimas vezes, senti ele meio sem paciência, e até meio grosseiro, mas eu também estava meio sensível... O importante é que seja bom tecnicamente, então continuei com ele.
Só que ele fez meu exame em 5 minutos, não procurou os folículos, não me falou uma palavra. SEnti que foi "meia boca", mal feito mesmo.
Resultado? 5 antrais! Frustrante, ainda mais que no mês anterior tive 9.

Quis cancelar o ciclo, mas minha médica achou melhor não, porque meu FSH estava muito bom.

Optei por repetir o US com outra médica, que foi ótimo. 7 antrais (com possibilidade de mais) e fui bem tratada... Marquei os próximos com ela. Ufa!

E então, dia 10, no 3o DC, eu iniciei meu 2o tratamento. 300U de menopur + 100 mg de clomid.
Hoje será o 4o dia.

Estou relativamente calma.  A verdade é que não consigo ter esperanças, mas ao mesmo tempo não deixo de ter.

Perguntei pro meu marido se ele acredita que vai dar certo e ele disse que tem certeza.
Eu não consigo sentir nada, nem bom e nem ruim. Talvez seja melhor assim.

Farei os US dessa semana por aqui, e sábado pretendo ir pra SP.
Torçam por mim.


28/01/2017

E mais uma vez, os planos não deram certo.

Quando procurei a Dra. Daniella no início de dezembro, tinha esperança de começar a induzir ainda naquele mês. Não deu certo, foi um pouco frustrante, mas eu sabia que existia essa possibilidade.

Me programei direitinho, marquei todas as datas, troquei dias no trabalho, pra então, recomeçar em janeiro.
Só que como diz meu marido se eu planejei, provavelmente não vai acontecer.

No 3o dia do ciclo, fiz um US e os exames laboratoriais. O US foi bom e ruim ao mesmo tempo: 9 folículos antrais (o bom) e um cisto folicular de 24mm (o ruim).
Esse cisto poderia ser só um achado e ignorado, se ele não fosse responsável por explodir com o meu estradiol. De todas as vezes que dosei meus hormônios, nunca tive um resultado assim: estradiol 427. LH tbém estava aumentado, FSH 6 e pouquinho e progesterona 1,3.

Ou seja, nada ideal pra começar a indução.

Confesso que nos primeiros dias eu fiquei muito triste. Eu me organizei, programei a minha vida, fiz cronograma e contei os dias pra chegar essa nova indução.
Não deu certo.

A orientação foi iniciar anticoncepcional e ao final, quando a menstruação vier, repetir US e exames pra ver se normalizou. Se sim, aí um novo ciclo se inicia.

Isso já faz praticamente 2 semanas. Faltam 8 comprimidos na cartelinha do anticoncepcional, então em mais ou menos 10-11 dias eu menstruo. Mais uns 2 dias repito tudo e espero do fundo do coração que tudo tenha normalizado e eu possa recomeçar a FIV.


Me afastei um pouco da igreja, não tenho ido à celula. Mas isso não quer dizer que deixei de acreditar em Deus, só que nesse momento preciso desse tempo.
Continuo indo à psicóloga e acho que tem sido uma boa ajuda.
Essa semana comecei uma dieta, não para perda de peso, mas pra tentar ficar mais saudável. Deu muito resultado com uma Fivete que conheço, então resolvi arriscar. É difícil, mas é por um bem maior!

Um beijo,



04/01/2017

A mulher invisível

Ontem em mais uma conversa com a minha psicóloga, tentei explicar porque não consigo me abrir e desabafar com ninguém.

O fato é que nós, mulheres inférteis, somos praticamente invisíveis à população.
O primeiro motivo é que somos uma parcela muito pequena das mulheres e minorias costumam ser esquecidas.
O segundo motivo é que é algo tão fora do comum, que as pessoas simplesmente não conseguem entender a dor que isso causa. Cansei de ouvir todos os tipos de clichês como "é só relaxar que acontece", "faça uma viagem com o seu marido, para de pensar nisso".

Cansei de escutar que minha vida é boa demais e eu preciso focar em tudo de maravilhoso que Deus me deu e não só no que eu não tenho.
Escutei de uma pessoa até que bem legal que "ter filhos nem é tudo isso" - mas ela teve dois!
Outros dizem que é "tudo na hora de Deus".

Eu opto por não compartilhar meus sentimentos com muita gente. Tenho vergonha, me sinto vulnerável (no sentido ruim da palavra), exposta. Mas as vezes que tentei, também não deram muito certo. Ninguém entende. Acham que é bobagem, que é simples, que é drama. Que não tenho tantos motivos assim para sofrer desse jeito.
E daí, esquecem.

Me afastei do mundo. E em todas as vezes que considerei me reaproximar, me frustrei.
Há exatamente 1 mês, eu contei sobre a minha saga da adoção e que provavelmente tentaria nova FIV para duas amigas.
Ficou nisso. Nenhuma delas sequer tocou no assunto ou me perguntou se eu estou bem depois disso.
Claro que não estou, mas não vou pedir ajuda pra quem nunca ofereceu. Elas estão vivendo outro momento - uma com filho pequeno e a outra grávida e meu sofrimento é desagradável demais para esse momento de felicidade que elas vivem.

Ou seja, estou completamente sozinha nessa. Cada dia mais.


27/12/2016

2016 - um ano pra ser esquecido!

Esse título está como um rascunho de post há quase 1 mês.
Mas começo a escrever e travo.

2016 foi um ano muito ruim.
Incrível que eu esperei tanto esse ano chegar... Tinha tantos planos e tanta esperança de um ano lindo, cheio de amor, de realizações.
E nada deu certo. Nada.

Eu contei os minutos pra 2016. Porque esperava estar em casa, com meu marido, grávida, evoluindo profissionalmente e nada disso aconteceu.

O marido mudou. O filho não veio. A profissão não deslanchou.

A tristeza desse ano não me fez uma pessoa melhor. Me fez mais triste, mais amargurada.

E 2017 começa assim: sem grandes esperanças, com muito sofrimento e um aperto gigantesco no peito.

Será que um dia isso vai passar?

14/12/2016

Não consegui pensar num título para esse post.

A vida aqui continua, sem grandes novidades.

A maior delas é que finalizamos o processo para dar entrada na adoção, mas agora aguardamos sermos habilitados.
Depois da habilitação, demora alguns anos até encontrarem uma criança compatível, então, agora é só esperar. Literalmente.

Passei em consulta com a Dra. Daniella semana passada e resolvi sem dúvida nenhuma, fazer a próxima FIV com ela. Achei até que daria pra começar esse mês, mas a Huntington fecha entre o Natal e o Ano Novo...
Nesse ciclo minha menstruação adiantou uma semana, o que inicialmente me deixou super feliz e animada, achando que poderia iniciar a indução. Mas acabou que ficou pra janeiro mesmo.
O combinado é que posso iniciar a indução e os primeiros US por aqui e depois, lá pelo 8-9o dia, vou pra SP e fico até a coleta.
Depois preparamos o endométrio no próximo ciclo para a trasnferência, isto é, se eu tiver blastos aprovados após PGD.
Caso contrário, farei nova indução até conseguir pelo menos dois blastos aprovados. Ou considero o plano B, recepção de óvulos.

Tenho andado mais calma, mas mesmo assim não é fácil ver o mundo ao seu redor engravidando e você sem muita perspectiva. Depois de 19 ciclos, sendo que desses só 4 não fui tentante, acho que minha chance de engravidar naturalmente é quase nula. E não poder começar a FIV agora tbém me agonia bastante, parece que estou só deixando a vida passar, sem fazer nada.

Ás vezes me pergunto se rezo errado. Se não sei pedir. Mas aprendi a ser bem específica e ultimamente tenho detalhado exatamente o que eu quero: engravidar com os meus óvulos, ter uma gestação tranquila e um parto saudável e ter um bebê perfeito no meu colo ao final de tudo. Dá pra ser mais específica do que isso?
Tem dias que me sinto só mais cansada mesmo. De nada ser fácil, de ter que lutar e me esforçar por cada coisa na minha vida, mais ainda nesse momento.

Queria ter sorte, engravidar numa namorada do fim de semana, fazer um teste e ver as duas linhas, contar pra família toda logo sem medo. Queria me sentir completa, mulher completa. Mas me sinto pela metade, como se um pedaço importante de mim não funcionasse.

A essa altura da minha vida, esperava tudo muito diferente. Marido ao meu lado, sucesso profissional, pelo menos um filho me acordando durante a noite.
No final, o marido está longe, a profissão caminha a passos lentos e o bebê não veio.
Que 2017 seja bem diferente.


29/11/2016

Enfrentando a dor

Algumas coisas mudaram nesse período que fiquei longe do blog.

1. Comecei a fazer terapia. Encontrei uma psicóloga legal, que trabalha com terapia comportamental, que achei a linha mais adequada pro meu caso, porque eu simplesmente preciso desfocar de FIV e filhos. Só fui em 2 sessões, mas gostei. Ela fazer perguntas, questiona, me faz pensar. Espero que me traga resultados.

2. Eu tive uma semana inteira de felicidade. Sim, 7 dias de férias, desligada de FIV, sem o coração doer a cada minuto que pensava que não tenho filhos. Ao contrário, pela primeira vez em muito tempo, vi que não ter filhos tem lá seus benefícios - como ir nas montanhas russas mais horrorosas dos parques ou dormir literalmente a hora que o sono vem.
Fizemos uma viagem linda, feliz, animada. Me fez lembrar de como eu era feliz antes de toda essa história de (não) gravidez. Que a vida vai além de filhos, apesar de eu só conseguir enxergar isso.
Voltei com ânimo e força pra enfrentar a minha realidade. Se eu passei a considerar viver sem filhos? Jamais. Só aceitei que talvez demore muito mais do que eu esperava e que terei que encontrar formas de viver feliz até lá.

3. Demos entrada no processo de adoção. Marido fez o curso e hoje entreguei todos os documentos no fórum. Agora é aguardar estarmos habilitados.
Questionei sobre o tempo que demora após a habilitação: 3-4 anos. É tempo... Mas, o tempo vai passar de qualquer forma, então me resta esperar.

4. Marquei consulta com a Dra Daniella Castellotti e o Dr. Julio Voget, mas estou na dúvida se vou ou desmarco a consulta com o Dr. Júlio. O que pesa muito é que ele tem valores mais legais pra quem tem baixa reserva e precisa de mais de uma indução. Mas eu gostei demais da Dra Daniella e senti desde o primeiro momento que deveria fazer com ela... Acabei mudando de idéia pela facilidade em fazer quase tudo na minha cidade, mas acho que deveria tentar pelo menos uma vez com ela pra não me arrepender depois.
As consultas são na segunda feira, até sexta eu decido.
De qualquer forma, pretendo reiniciar meu tratamento ainda esse ano. Não sei se eles iniciariam uma indução entre Natal e Ano Novo, mas eu espero que sim, porque não quero perder muito mais tempo.


E é isso. Tenho visto tantas novidades boas nos blogs que sigo, espero de coração ter as minhas próprias pra contas logo logo!

Um beijo,