24/09/2023

 Eu comecei nesse mundo da infertilidade no início de 2016, quando depois de um ano de tentativas naturais, nada aconteceu.

De lá pra cá, muita coisa mudou. 

Meu milagre aconteceu. Minha pequena tem 5 anos e meio e é a luz da minha vida. Sem dúvida nenhuma é por ela que eu levanto da cama todas as manhãs e que me esforço para ser uma pessoa feliz e otimista.

Ela que me diz que eu sou linda de qualquer jeito, que chora sempre que eu saio, que diz que me ama mil vezes por dia, que ama ficar literalmente grudada comigo. Ela é meu maior sonho realizado, pra mim, a prova de que Deus existe.

Mas... Minha relação com Deus não tem sido das melhores nos últimos anos. Tem sido distante, um tanto conturbada. Eu simplesmente não entendo os caminhos dele.

Escutei e li muitas vezes a frase "Deus não nos dá um sonho que não possa realizar". E o desejo da maternidade continua tão forte em mim! Mas até hoje, o segundo filho não veio. São 3 anos e meio de tentativas. Todos os meses de forma natural. Duas FIVs, uma TEC de embrião aneuplóide obviamente sem sucesso e 2 TECs de embriões com óvulos doados, euplóides, 100% negativas.

Quando parti para ovorrecepção aos 38 anos, achei que fosse a solução de todos os meus problemas e meu segundo filho chegaria ali. Porque afinal, eu sabia que era capaz de gestar e meu problema era conseguir bons óvulos e embriões. Mas não foi bem por aí... Na primeira TEC negativa eu fiquei muito muito triste. Não entendi porque aquilo aconteceu. Meu casamento estava ruim, estávamos cada vez mais distantes e eu cada vez mais infeliz. 

Quando nos acertamos, decidimos transferir aquele último embrião. Eu me sentia completamente pronta, preparada. Como se tudo que estava errado tivesse se resolvido e até o médico da acupuntura me disse que eu estava transferindo no momento certo, porque ele sentia o quanto eu estava bem. E mesmo assim, tudo deu errado.

Não vou usar a expressão "meu mundo desabou" porque não é  verdade. Meu mundo continuava ali. Loiro, lindo, me chamando de mamãe e enchendo minha vida de cor. Os dias cinza vieram, mas a luz dela é tão forte e radiante, que logo meu sol se abriu de novo. Mas tive dias de choro, de isolamento, de brigas com Deus, de não me conformar. O mundo teve dois filhos, teve 3, teve 4 filhos. O mundo ao meu redor engravidou naturalmente de gêmeos, o mundo ao meu redor escolheu quantos filhos ter, como a família deles deveria ser. Eu não. Quem escolheu o tamanho da minha família foi a minha infertilidade. 

O que pegou muito forte, foi que meu marido havia decidido que aquela seria nossa última tentativa. Como eu acreditava muito que óvulos doados era a solução, e que aquilo daria certo, concordei. 

O ano de 2022 foi horrível pra mim. Depois das TECs negativas, recebi o diagnóstico de uma doença auto imune hepática (do fígado) que pode me levar à cirrose. Tivemos uma mudança enorme de cidade, que apesar de eu ter sido a favor, a nova realidade foi um baque pra mim. Um baque emocional, um baque financeiro. Meu ano terminou da pior forma possível. Infeliz, desanimada, sentindo que faltava alguma coisa.

Passei 1 ano e meio após a última TEC tentando me conformar com a idéia de ter apenas um filho. A minha filha maravilhosa. Ás vezes me pego usando a expressão família incompleta, mas essa não é a verdade. Minha filha preenche todos os espaços do meu coração. Eu sou completa de amor. Mas mesmo assim, eu desejo muito reviver tudo. 

A frase mais perfeita que encontrei foi de uma paciente do Dr. Rodrigo Rosa que disse "o primeiro filho foi meu milagre. O segundo filho me curou." Eu não me sinto curada. Me sinto imperfeita, quebrada, menos mulher. Eu recebi um milagre, mas continuo infértil. 

Todas as vezes que tentei falar sobre o assunto com meu marido, ele me tratou mal. Foi seco, grosso, ríspido. Deixou bem claro que nunca mais faria uma FIV. Até que cheguei num ponto que não aguentei mais. Vi que isso não sairia do meu coração enquanto não esgotasse todas as minhas possibilidades. Disse a ele que tentaria de novo, muitas vezes. E que ele poderia não fazer parte disso, mas eu esperava que mudasse de idéia. Ele mudou.

O medo dele não é do segundo filho. É da minha dor, do meu sofrimento. Dos dias cinzas. 

E aqui estou eu, me preparando pra recomeçar. E recorrendo a esse diário, para tentar falar dos sentimentos, para chorar sozinha, para me acalmar e não demonstrar tudo aqui em casa.

Mas pra quem acha que eu deveria curtir mais a minha filha e sofrer menos por um segundo filho... Eu só posso dizer que eu curti cada segundo da vida dela até agora. Eu curto cada minutinho, de quando ela acorda até quando vai dormir. O cheiro, a conversa, os aprendizados, as risadas. Amamentei até 5 anos!! Até hoje nunca passei mais do que uma noite longe dela. Eu tenho certeza mais do que absoluta de que seria impossível ser mais presente do que já sou e nunca terei nenhuma crise do tipo "perdi essa fase tão linda dela...". Não perdi e jamais perderei qualquer coisa do presente mais lindo que recebi nessa vida. 

Logo estarei aqui de novo. Essa semana é minha consulta para reinicinar os tratamentos. 

24/06/2021

Será que um dia isso muda?

 Sumi por quase 3 anos.

Acho que não tinha muita coisa pra contar e perdi o hábito de escrever pra ninguém, como um diário.

Mas esses dias tenho sentido uma necessidade enorme de colocar meus sentimentos pra fora - já faço terapia 1x semana, mas acho que não está sendo suficiente.

Minha princesa já fez 3 anos. Ela é incrivelmente linda, amorosa, extremamente apegada a mim, inteligente, esperta. É realmente uma benção na minha vida. 

Ainda amamento. Ja são 3a4m de amemtação e não consigo ver o final dessa história. Ela ama o mamá da mamãe, se acalma com ele, dorme com ele e chora sempre que eu nego. Eu não sei lidar com o choro dela e simplesmente não encontro forças pra encerrar essa etapa. Eu queria muito um desmame natural, 100% guiado por ela, mas até o momento, ela nem deu sinais disso.

Quando minha pequena fez 2 anos, eu menstruei pela primeira vez depois do nascimento dela. Até aquele momento, a idéia de um segundo filho não passava pela minha cabeça. No início era principalmente porque cuidar dela e trabalhar fora me deixava exausta. Ela nunca dormiu bem, sempre cuidei sozinha dela nas madrugadas, adoeci algumas vezes por conta disso... Mas apesar do cansaço não ter melhorado tanto, com o tempo eu me acostumei a ele. E comecei a pensar que um segundo filho seria uma coisa muito feliz na minha vida.

E voltei a fazer teste de ovulação e ter a esperança todos os meses de uma gravidez natural.

Queria entrar naqueles casos incríveis de mães que tentaram anos, fizeram FIV e depois absolutamente do nada, engravidaram naturalmente. 

Não foi o meu caso.

Meu marido não queria outra FIV e eu não queria considerar a idéia de não tentar. Depois de alguns meses, entramos num acordo: tentaríamos 2x - eu pagaria uma e ele a outra.

E setembro de 2020, fiz uma coleta. 5 óvulos. Consegui 2 blastocistos. Ambos aneuplóides. Fiquei muito triste, demorei alguns meses pra querer tentar de novo, mas pensava "é só questão de conseguir um normal!".

Daí optei por mudar de clínica, pra uma mais barata e poder com o valor de uma na atual, fazer duas na mais barata.

Em março de 2021, fiz uma nova indução. 3 óvulos. Nenhum embrião. Nada nem para testar. 

Meu mundo caiu. Dessa vez fiquei mal. Conclui que talvez não seja questão de encontrar um normal. Talvez eu não consiga nenhum normal. 

Eu tenho 38 anos. Minha reserva ovariana atual é horrível. Meu AMH é 0.44. Eu fui sortuda demais com a Malu e achei que talvez isso pudesse acontecer de novo.

Eu resolvi tentar transferir um dos embriões aneuplóides. Li muito a respeito, vi casos de sucesso, falei com geneticistas e resolvi arriscar. Ganhei um negativo, de cara. 

Durante esse ano e meio de tentativas, eu me apoiei na minha filha pra conseguir ainda ser grata a Deus. Mas confesso que minha fé anda muito abalada e eu não entendo porque tenho que passar por isso.

Já sofri tanto pra tentar engravidar pela primeira vez... Não foi suficiente? Por que todas as pessoas simplesmente resolvem quantos filhos querem ter e eu não posso ter esse sonho? 

Sei que pra quem ainda não tem nenhum filho, eu pareço egoísta. Deveria apenas agradecer - e eu agradeço, muito, muito, todos os dias. Agradeço em todos os momentos que estou com a minha filha. Não existe nada nesse mundo que eu ame mais. Nada que me traga sentimentos tão maravilhosos. 

Mas a infertilidade me mudou. EU não sou e nunca mais serei a mesma. Não sou igual às outras mães. Nem igual às outras mulheres.

Meu coração sonha viver tudo de novo - de uma forma mais leve, mais tranquila, em que eu consiga curtir todos os momentos. Minha gestação não foi tranquila. Meu parto não foi tranquilo. Minha maternidade também não foi. Quero experimentar isso, com o coração que eu tenho hoje. 

Não sei meus próximos passos. Não sei se tentarei de novo, ou quando.

Mas meu coração ainda não conseguiu apagar esse sonho. 


14/08/2018

Vontade de escrever e contar muitas novidades

Resumo dos últimos vários meses:

32 semanas - sofremos um pequeno grande susto. Um cachorro grande correu atrás para pegar minhas cachorrinhas (que tem 2kg e são minhas filhas mais velhas!), eu sai atrás do cachorro, em pânico, e acabei levando um tombo. Consegui me apoiar com joelho e mãos no chão e com a graça de Deus não bati a barriga e nada mais grave aconteceu. Marido desesperou, mas minha pequena continuou mexendo normalmente, e eu ganhei roxos, ralados e um joelhoe mão doloridos por algumas semanas.

35 semanas - um novo susto, dessa vez mais preocupante. Fazia várias semanas que não fazia US (acho que quase uns 2 meses) e fui tranquilamente fazer mais um, a pedido do meu obstetra. Mas durante todas as medidas, foi constatado que havia um atraso considerável de crescimento e ela estava medindo cerca de 3 semanas menos do que as 35 que eu estava. Isso enquadrava minha pequena no percentil 15 de peso. Mais um pouquinho seria considerado Crescimento intrauterino restrito... Quem parar pra pesquisar sobre isso verá que existe um risco aumentado de problemas respiratórios e necessidade de UTI neo nesses casos... Chorei por 24h, achando que algo muito errado poderia acontecer. Reduzi a jornada de trabalho, parei de viajar (viajava e atendia por 8h 2x semana e o restante atendia a tarde toda) e vi na internet que Ensure (tipo um sustagem mais top!) ajudou algumas mães com casos semelhantes... E lá fui eu tomar o sumplemento hipercalórico! Não sei se fez alguma diferença, mas em 2 semanas minha bebê tinha ganhado 600g e já estava bem longe da possibilidade de CIUR!

Eu decidi por esperar o momento dela, fosse parto normal ou cesárea, ela iria decidir quando nascer. No dia em que completava 39 semanas, no meio da madrugada de Carnaval, senti a primeira contração verdadeira. E logo depois a segunda... E uma vontade de fazer xixi! Quando fui no banheiro, sangue... Comecei a tremer, liguei pro meu médico e fomos direto pra maternidade. O sangramento continuou... A bolsa rompeu e a cada contração, descia um líquido vermelho... Fizemos cardiotoco e não tinha nada de errado com ela. Mas o sangue assustou todo mundo, incluindo a plantonista que me atendeu quando cheguei lá. Aguardamos algumas horas (e me deixaram conectada ao aparelho de cardiotoco o tempo todo!), fomos pro centro cirúrgico e ali, em poucos minutos, minha bebezinha nasceu. Chorando, grande, com um peso lindo (49,5cm, 3225g!). Mamou na primeira hora...

Muita coisa aconteceu depois desse dia (que já faz 6 meses!) e eu pretendo contar num outro post. Mas hoje, quando paro pra olhar pra ela, fico ainda impressionada e maravilhada por poder viver a maternidade depois de todo sofrimento que passei pra chegar até aqui. Ela é a resposta a todas as minhas orações, é muito mais do que pedi pra Deus. Serei eternamente grata por poder viver tudo isso!

Um beijo,

16/10/2017

E chegamos a 22 semanas

E depois de 10 semanas, resolvi aparecer por aqui.

Com boas notícias.

De lá pra cá, as coisas caminharam bem. Quer dizer, depende do ponto de vista, mas pensando na saúde da pequena, posso dizer que está tudo ótimo.
Fizemos um US com 13 semanas, outro com 17 e outro com 21. O de 13 foi um morfológico completo, que foi a primeira vez que consegui acreditar que estava grávida e tem um serzinho se desenvolvendo aqui dentro. Com 17 foi por solicitação do obstetra o que foi bom, porque viajamos de férias na sequência e me tranquilizou saber que estava tudo ótimo. E com 21... Bem, daí foi porque eu sou louca mesmo e encanei que ela não estava se mexendo como nos outros dias.

Resumo da vida:

1- Sintomas: mantive enjoos, vômitos, intolerância alimentar até 18 semanas. Todo mundo diz que passa com 12, mas pra mim isso foi uma grande mentira. Achei que nunca fosse me sentir confortável, que jamais conseguiria me sentir feliz durante a gravidez. Mas há 3 semanas os sintomas melharam muito!! Voltei a consumir leite e derivados numa boa, os enjôos só ocorrem quando eu fico sem comer por mais do que duas horas e não vomitei mais.

2- Fome: essa em compensação, pegou pesado por aqui. Eu tenho MUITA fome. Como a cada 2h no máximo e logo em seguida já estou com fome. Minhas porções não aumentaram, mas a frequência com que eu passei a me alimentar é infinitamente maior do que antes. Conclusão: engordei 2,5 kg em 15 dias de férias.

3- Férias: fomos para os EUA e aproveitamos pra comprar o enxoval. Não rolou nada de consultoria - foi listinha e pesquisa de preços. Não compramos nada demais, foi o básico mesmo. Roupinhas até 1 ano (e em número relativamente reduzido, acho que corro o risco de ter que comprar mais coisas aqui pelo que todo mundo tem me falado...), carrinho, babá eletrônica e itens de higiene e amamentação.
Não compramos nada caro, porque se for pra gastar bem, prefiro comprar com calma e aí não faz diferença se é aqui ou lá.
Parece coisa de gente rica, mas pra gente, foi prático e econômico. A gente já tinha comprado a passagem antes da FIV e combinamos de que se desse certo, aproveitaríamos pra comprar o enxoval e se desse errado, pra descansar a cabeça e o coração.
Não entramos em lojas caras, foi o básico de Carters, Target, e algumas peças mais gracinhas na Gap Baby.
Carrinho compramos um da Chicco chamado Bravo, que já vem com o bebê conforto. E a babá foi o marido que pesquisou e optou por uma da Motorola.

4- Evolução da gravidez - por aqui ganhamos aproximadamente 4,5kg. Inicialmente eu não tinha engordado praticamente nada, 2 kg em 4 meses e estava bem feliz com isso. Mas na viagem, comi como uma louca e a comida de lá é sempre mais pesada, mais gorda... Então, em 15 dias acabei ganhando mais 2,5kg!!
Estou bem sedentaria. Pensei em começar algum exercício físico, mas de uns 10 dias pra cá, além de uma gripe horrível, passei a ter muita taquicardia. Fico com a frequência entre 120-130 aos mínimos esforços (como levantar do sofá por exemplo), então acabei desistindo por enquanto. A alimentação é zero regrada - como muita fruta e muita verdura, mas como de tudo o resto. Sou magra de natureza, nunca fui de comer muito, então as minhas porções ainda são pequenas, mas como eu tenho que comer a cada 2h, acabo comendo muito mais hoje em dia.
A barriga já cresceu bastante e os peitos mais ainda.

5- Minha relação com a gravidez/barriga/minha pequena: eu sou completamente desesperada. Qualquer coisa me preocupa. Olho no papel todas as vezes que faço xixi, pra ver se não tem sangue. Já cheguei a cheirar a minha calcinha várias vezes, porque dizem que líquido amniótico tem cheiro de água sanitária, pra ter certeza que não estou perdendo líquido. Encano se tenho a sensação que meu seio não esta mais tão inchado!
Há 3 semanas, a pequena começou a mexer. É uma sensação deliciosa, me dá uma paz incrível. Mas eu, louca como sou, passei a prestar atenção nisso excessivamente, o que me levou a achar que em determinados dias ela estava mexendo menos e claro, me desesperar. O US com 21 semanas foi por isso e no final, estava tudo bem... Ontem à noite ela estava toda serelepe, consegui até filmar os "chutinhos" que ela dá na barriga.


Acho que consegui dar uma bela resumida. Vou tentar não passar mais 3 meses sem notícias... =)

Um beijo,

06/08/2017

11 semanas e 6 dias

Amanhã completo 12 semanas e vou contar pra algumas pessoas sobre a gestação. Até agora só família próxima (pais e irmãos) e amigos beeem íntimos sabem.

Minha mãe está doida pra contar, minha sogra enlouquecida pra falar pra todo mundo e meu marido se coçando! Rs... Ontem abriu pra um amigão, que ficou extremamente feliz.

Mas a questão é que não me sinto feliz e segura pra contar.

Todo mundo diz que a gestação é um momento lindo e até agora eu não consegui enxergar essa beleza toda.

Sangrei até quase 10 semanas, depois tive um sangramento leve há uma semana, então o medo me domina.

E com 7 semanas comecei com náuseas e uma indigestão absurda. Se não comia, tinha náuseas, mas se comia, passava mal me sentindo cheia como se tivesse comido 2 pratos de feijoada. Com o passar da semana, a indigestão melhorou parcialmente (ainda tenho, mas de 2 pratos, passou pra 1 prato de feijoada!), porém a náusea se transformou em vômitos.

Não consegui determinar um padrão e nem situações que melhoram ou pioram os sintomas.
Alguns dias acordo mal e vomito sem ter ingerido nada! Alguns dias vomito logo após ingerir o primeiro copo de suco do dia e outros só depois do almoço ou do jantar. Outros dias passo mal após todas as refeições e literalmente acabo morrendo de fome. Se não como passo mal, mas se como fico pior ainda!

Meu marido no início era beeem chato sobre medicação. Cada vez que me via tomando alguma coisa, chiava e dizia que as mulheres que ele conversou não tomam nada por fazer mal ao bebê (ele tem muitas funcionárias mulheres onde trabalha)... Eu vivia mal, evitando medicações (1 vonau ao dia no máximo) e com peso na consciência por tomar.

Com o tempo ele parou de me encher o saco. Percebeu que não estava bem, me viu vomitando várias vezes ao dia e conseguiu ficar quieto.

Mas a verdade é que nada nada melhora. Sinto muita dor no estômago (que não é azia), preciso comer a cada duas horas (mas a maioria das coisas não "cai bem"). tenho muita náusea e os vômitos acabam comigo. O efeito do vonau dura 1h, o dramin não melhora nada e me dá um sono horrível e o meclin tomei ontem pela primeira vez e não adiantou nada.

Vários dias eu chorei sentada no chão do banheiro. Eu quero curtir esse momento, mas entre sangramentos e vômitos, ainda não consegui. É triste gente, mas só aqui consigo ser sincera comigo mesma. Amo muito minha filha e agradeço a Deus todos os dias pela sua existência, mas não me sinto feliz nessa etapa da minha gestação.

Com 10 semanas tive dois dias "de folga" e fiquei ao mesmo tempo feliz e insegura, pois achei cedo para os sintomas diminuirem. Mas logo depois tudo voltou, pior do que antes.
Com 11 semanas, melhorou um pouco. Tenho 1 dia de folga e volto a passar mal. Sexta estava relativamente bem, sábado passei o dia no banheiro e hoje fiquei bem, um dos melhores dias.
Saí de casa pela primeira vez (antes só saí pra exames, US e alguns compromissos como renovar o passaporte). Fomos comer no shopping e tudo desceu tãaao gostoso! Claro que estou até agora (faz 4 horas) me sentindo cheia, a barriga bem estufada, mas graças a Deus, nada de náuseas ou vômitos.

Amanhã volto para o trabalho.
Vou começar bem devagar, poucos pacientes por dia, até me sentir bem e confiante de novo.


Ah! Essa semana fizemos a translucência nucal. Eu não estava muito preocupada, pois por termos feito a biópsia embrionária, o risco de Síndromes como Down é mínima. Minha preocupação maior era ter certeza de que ela estava lá, perfeita e com o coração batendo. E estava! Meu marido não consegue me acompanhar em muitos exames, mas neste ele foi e é liiindo ver o quanto ele se emociona.

Se eu posso tirar algo bom de todo esse processo, foi a certeza do quão forte é meu relacionamento, do amor que temos um pelo outro. Amo meu marido com todo meu coração e mesmo com diferenças e problemas, me sinto extremamente amada.

Um beijo,


23/07/2017

Quanto tempo!

Acho que faz praticamente 2 meses que não dou sinal de vida.

É que foi tudo tão difícil e tão complicado, que sentia zero vontade ou coragem de contar por aqui.
Hoje, apesar de tudo muito incerto ainda, me sinto um pouco menos em pânico e a vontade de escrever surgiu.


A Transferência
Dia 02 de junho foi a minha transferência. Foi um dia super tranquilo, eu e o marido estávamos em paz como nunca havia sentido antes. Durou uns 5 minutos no máximo!
Como da primeira vez bebi muuuuita água e o pós foi horrível, dessa vez optei por beber o suficiente pra ter vontade de ir no banheiro, sem estar apertada. Funcionou.
Consegui segurar por 45 minutos após antes de levantar pra fazer xixi. Me deixou mais calma, porque a sensação é que o embrião vai vazar!

Voltamos para o apartamento em que estávamos hospedados e fiquei em repouso absoluto por 24 horas e repouso quase absoluto por mais 24! No primeiro dia nem banho tomei. Sentei apenas pra fazer xixi e comer. No segundo dia ainda tomei banho sentada! Pode dizer que é exagero, mas na primeira tentativa fiz ZERO repouso (zero mesmo!!) e não deu certo, então prometi pra mim mesma que faria diferente nessa tentativa.

O tempo de espera
Desde o D0 tive cólicas. Leves, não precisaria nem tomar remédio pelo incômodo, mas minha médica orientou buscopan de 6/6h e assim eu fiz.
Voltamos de carro para minha cidade no D2, mas vim deitadinha no carro.
Permaneci em repouso relativo em casa no D3 e voltei a trabalhar no D4.

E aí... A surpresa. Eu tenho um milhão de testes de gravidez que comprei no ebay com sensibilidade de 10. E no D5 positivou!! Beeem fraquinho (vou mostrar a foto), mas estava ali. Final do dia fiz um digital e estava lá: grávida 1-2 semanas. Impressionante.

O problema é que isso não me acalmou. Só me deixou mais nervosa ainda.
D6 mais escuro... Fiz um beta (a louca, eu sei!!) - 33. Não encanei com  valor porque ainda era cedo, tudo ok.
D7 mais escuro...
E aí, comecei a sangrar. Inicialmente pensei - ah, é só nidação.
Mas o sangramento aumentou, se tornou vermelho vivo em grande quantidade, de pingar no vaso sempre que fazia xixi.
Eu chorei um dia inteirinho. Chorei muito, tive certeza mil vezes de que meu sonho havia acabado ali, sem entender muito bem porque.
Minha médica aumentou a progestrona, orientou repouso absoluto e colher beta, progesterona e estradiol no D8.
E assim eu fiz. E pra minha surpresa, o beta aumentou muito! De 33, passou pra 88!! Ou seja, estava tudo evoluindo ainda...
Com os dias o sangramento reduziu, se tornou marrom, até parar.
Mas, como nada pode ser muito bom ou muito simples comigo, meus betas não evoluíram como o esperado:
D 6- 33
D8 - 88
D10 - 171
D12 - 296
D15 - 711
Se prestar atenção, verá que tirando em D8, ele nunca dobrou em 48h. Dobrava em 50 e poucas horas, um aumento próximo de 80% em 48h.
Li tudo que vocês puderem imaginar - me convenci que era ectópica (sempre senti mais dor do lado esquerdo), depois anembrionária, depois que simplesmente não iria evoluir.


O Acidente
10 dias depois desse sangramento, voltei a trabalhar.
Primeiro dia, normal.
Segundo dia, sofri um acidente na estrada - rodei na pista e cai na valeta lateral... Primeira coisa que pensei foi: acabou.
Fui correndo fazer um US e o colo estava fechado, saco gestacional no lugar. Mas umas 8h depois, comecei a sangrar. Muito.
E assim foi. Sangrava 24 horas, melhorava por uns 3 dias (reduzia fluxo e ficava marrom) e quando achava que iria parar, voltava a sangrar muito, vermelho vivo. Poucas vezes tinha coágulos, e nessas, meu desespero era maior ainda.

Eu chorei por uma vida inteira durante as últimas semanas.

Os US
Nesse período, vivi a saga dos US.
O primeiro com 5s1d - saco gestacional tópico.
5s 3 dias - saco gestacional, vesícula, embrião.
6s 1d - Embrião com BCF! Isso não me emocionou - juro, eu estava tão apreensiva que achei o BCF meio lento, apesar da médica dizer que estava tudo normal. Porém com descolamento do saco gestacional, de 20% aproximadamente, que deveria ser a causa do sangramento.
7s 1d - Tudo ok, idade gestacional compatível, BCF adequado, porém com 2 áreas de descolamento, pequenas, mas consideráveis. Passei a usar Dactil OB (meu obstetra daqui passou, a médica da FIV disse só repouso) 6/6h.
8 s 2 d - Primeira vez que o marido foi junto. Tudo ok, idade gestacional compatível, BCF perfeito, redução considerável do descolamento! Porém, continuei a ter sangramentos, mas menos volumosos, após evacuar principalmente.
9 sem e 3 dias - Sem descolamento, bebezinha perfeita!

Hoje faz exatos 3 dias que não sangro. Motivo de comemoração, acho que desde o início, foi o máximo de tempo que fiquei.


Amanhã completo 10 semanas.
Muitos sintomas, mas isso conto em outro post, esse aqui ficou gigantesco.

O resumo disso tudo é - mesmo quando tudo parece estar desmoronando, pode ser que ainda tenha sobreviventes embaixo da montanha de entulhos. Dê uma chance e continue procurando.

Um beijo,



29/05/2017

Enfim, eu voltei.

E o tratamento também.

Demorei um tempo longo pra ter vontade e coragem de escrever.

E também porque a vida estava parada.

Meu ciclo durou cerca de 50 dias. Ovulei tardio, mas umas duas semanas depois, a menstruação veio. Claro que sempre tenho esperança de que ela não venha (e que não seja uma menopausa precoce), mas dessa vez, o aparecimento dela foi motivo de comemoração. Poderia, enfim, recomeçar a tentativa de preparo do endométrio.
No 2o dia do ciclo, fiz meus exames laboratoriais e um US. Pra minha infeliz surpresa, minha progesterona ainda estava alta (3,8) e o US mostrava um corpo lúteo ativo, vascularizado, um tanto incompatível pra um fluxo bem intenso. Cheguei a pensar em gestação, mas o teste de gravidez excluiu essa possibilidade. Melhor assim, se fosse positivo, seria certamente um aborto em evolução.

Tentei não me abalar e repeti os exames no 3o dia. Aí sim, tudo bonitinho. Progesterona 0,7 e tudo pronto pra iniciar as medicações.

Protocolo atual: valerato de estradiol, AAS, pentoxifilina.
No 9o dia, fiz um US em outra cidade, com um médico não muito atencioso, que disse que meu endométrio estava em 4,9. Triste, mas mais uma vez, tentei não me abalar, ainda tinha chance de crescer e não confiei muito nesse resultado. Na imagem ele estava bonito, gordinho, trilaminar, então, ainda havia esperança.
Acrescentei estradot ao protocolo, por orientação da minha médica.

No 10o dia do ciclo, fui pra SP fazer a aplicação do PRP (que comentei no post anterior). Pra minha (feliz!) surpresa, o endométrio havia dado um salto em 1 dia - passou para 6,2mm. Não é láaaa grande coisa, mas motivo de comemoração pra mim, porque na outra tentativa, ele empacou em 5,8-5,9mm.

Mantive as medicações e voltei na sexta, dia 26, para a segunda aplicação do PRP. Um novo US e: ENDOMÉTRIO COM 7MM!! Lindo que só vendo... Isso antes de fazer a segunda aplicação, ou seja, ainda com chance de crescer mais um pouquinho.

Me senti vitoriosa, quase como se tivesse um positivo em mãos. Pra algumas meninas pode não ser nada, mas pra mim, cada etapa é uma vitória, porque foi mais um passo dado (e todos os meus caminhos tem um milhão de pedras no meio, nunca é simples).

Ontem, iniciei a progesterona. Iniciei também clexane e prednisona. (tenho mutação heterozigota mthfr e optamos por usar clexane mesmo assim e a prednisona é para evitar qualquer "ataque" ao embrião como corpo estranho).

Transferência marcada para sexta.
E assim eu sigo, esperançosa. Não sei qual será minha reação se não der certo (tenho muito medo dela - da minha reação), mas no momento, tenho uma sensação boa quando penso no meu embriãozinho. Minha menina no meu ventre, é tudo que eu sempre sonhei.

Mando notícias (boas ou ruins) mais pra frente.
Um beijo,


03/05/2017

Atualizando

Não tenho novidades.
Como contei no último post, a primeira tentativa de preparar o endométrio foi bem frustrada.

Tirei férias em abril, então não pude recomeçar.
Passei esse mês todo pesquisando novas opções.

E acrescentei a minha vida:
- Maca peruana
- Elixir de Inhame
- Geléia real

Não que eu acredite que isso seja capaz de fazer milagres, mas não custa tentar. Na verdade, até custa, porque a geléia real foi uma das piores coisas que já tomei na vida, o gosto é horrível! Na minha cidade só tinha a opção in natura, que vai na geladeira, não encontrei em cápsulas. Uma amiga deu a dica de colocar mel junto, que ameniza um pouco.

Também andei pesquisando sobre a possibilidade de fazer aplicação de Plasma Rico em Plaquetas diretamente no endométrio. Descobri um médico em SP que faz, questionei minha médica (que não faz) e ela entrou em contato com esse outro médico...
Acabei marcando uma consulta, fiz um bate e volta para SP ontem.
Tirando o atraso de 3 horas (que por sorte, já estava preparada para que acontecesse), eu gostei dele. Pretendo fazer o tratamento, que é experimental.

Não é garantia de nada, mas ruim já está, o máximo que pode acontecer é continuar assim.
São duas aplicações, no 8o e 10o dia do ciclo, mas eu conto mais depois que fizer.

Esse mês meu ciclo desregulou todo. Acho que é por causa do estradiol injetável, que li que tem meia vida de 50 dias.
Ainda não ovulei e estou no 31o dia do ciclo! Mas estou com um folículo bem grande e o teste de LH positivou na segunda feira.
Meu endométrio está com 4mm, não está trilaminar, então mesmo que ovule, não existe a menor chance de engravidar naturalmente, Eu tento, a esperança sempre existe, mas a vida real, os exames e tudo mais, me mostram dia após dia que são tentativas em vão.

Agora é esperar os dias passarem, pra recomeçar.


13/04/2017

Sem novidades

Sumi por um tempo, porque raramente tenho coisas boas para contar e acabo achando chato falar sempre as mesmas coisas.

Levo isso pra vida real também e por esse motivo, não procuro minhas amigas e tenho até preguiça de responder mensagens quando alguma delas me procura. Pra que? Dizer que está tudo igual, que continuo sofrendo, que não estou grávida? Prefiro me manter quieta.

Pois bem, acho que já disse tudo. Não estou grávida.

Na verdade, ainda não consegui transferir meu único embrião.
Mês passado tentei preparar o endométrio - usei estradiol injetável, estradiol adesivo, cialis (parente do viagra) e também AAS. Engordei, inchei, meus peitos passaram um mês sensíveis e doloridos ao extremo, mas meu endométrio foi o único que não se sensibilizou aos efeitos do estradiol e não espessou.

Chegou a 5,8mm, trilaminar e simplesmente não evoluiu mais. Passou a 5,9, praticamente 6mm, porém já não estava nem trilaminar mais. 18 dias de medicação.

Foi triste. Frustrante, desanimador.
A sensação que eu tenho é que todo meu trato reprodutor é defeituoso. Meus ovários não produzem folículos o suficiente, minhas trompas não funcionam como o trajeto que deveriam ser, meu útero não fica bom para abrigar um embrião. E aí vem a dúvida: será que isso não é uma forma de me mostrar que eu estou forçando a barra? Que a vida tem me dado todos os motivos pra desistir, pra me mostrar que não vai dar certo e só eu não enxergo isso?

Fui viajar com o marido, dar uma relaxada. Acabei menstruando no meio da viagem, então não tinha como fazer exames e nem começar as medicações.

Então, agora é contagem regressiva pra data da próxima menstruação, pra mais uma vez, tentar ir contra toda a força da natureza e tentar realizar o sonho de ser mãe.

14/03/2017

Ainda sem grandes novidades

Tive uma boa semana.
Cheia de esperança.

Sei que tudo pode dar errado, mas sei que dessa vez, a chance maior é que dê certo. Não por mim, mas pelas estatísticas mesmo. Achei alguns artigos que dizem próximo de 60-65% de chance de gravidez com um embrião testado, mas também achei relatos em que os médicos e as clínicas dão de 75-85% de chance de sucesso... Que seja 60%, ainda quer dizer que a maior chance é de dar certo e é a primeira vez na vida que vivo isso.

Se der errado, eu volto a chorar. Mas também sei que não consigo controlar isso e o sofrimento será exatamente o mesmo se eu ficar positiva hoje ou se já acreditar que vai dar errado. Meu tombo será enorme dos dois jeitos, então, estou curtindo viver alguns dias em paz, acreditando que algo pode dar certo na minha vida.

Meu embriãozinho tem nome e duas irmãzinhas de 4 patas loucas pra conhecê-la.

Ainda estou na fase de preparo do endométrio, com injeções no bumbum a cada 3 dias e comprimidos via oral e vaginal diariamente. Ainda não repeti o US para avaliar o crescimento do endométrio, está marcado para amanhã.

Mas minha menstruação acabou em 4 dias, quando dura sempre entre 5-6 dias, com períodos até mais prolongados. Meus seios estão doloridos, me sinto levemente inchada, acho que o estradiol está fazendo efeito em tudo, só torço que também esteja conseguindo agir no meu endométrio!

Volto pra contar notícias depois.

08/03/2017

Boas novas

Hoje, pela primeira vez acho que desde que esse blog existe, venho dar boas notícias.

As meninas que me acompanham já sabem - não aguentei e contei na resposta de um comentário...

Na segunda feira, chorei sem parar. Realmente disse a Deus que desistia de qualquer coisa e me entregava por completo para que Ele curasse a minha dor.

Terça pela manhã, estava em casa de folga, pesquisando passagens para as férias. E me ligam restrito - já sei que é da Huntington.
O tom de voz era bom.
E aí veio a melhor notícia dos últimos tempos: meu lindo blasto, perfeitinho por fora, foi aprovado! Geneticamente normal!
Depois de uma indução difícil, dias sem esperança, recebo essa notícia tão linda!

E mais uma notícia que eu estranhei, mas trouxe mais emoção ainda: meu bebezinho (porque pra mim, embrião já é vida!) é menina!!

O mais impressionante, é que apesar de eu sempre dizer que teria meninos, semana passada acordei com um nome de menina na cabeça e disse pro marido "sei que será menino, mas se um dia tivermos uma menina, gostei desse nome..." e ele concordou, falou que achava bonito e ponto.

Então nossa menininha já tem nome e amor de sobra antes de existir.

Coincidentemente menstruei ontem! Já fiz exames de sangue e hoje à tarde um US para iniciar o preparo pra TEC. Espero que corra tudo bem.
Meu preparo será intenso! Não respondo a primogyna, então usarei AAS, Cialis via vaginal e valerato de estradiol intramuscular!! (ai!).

E Deus, meu coração continua entregue e confiarei até o último minuto.


06/03/2017

Uma noite, durante uma célula que eu frequentava na época da minha 1a FIV, eu tive uma crise incontrolável de choro.
E quem me conhece sabe, eu não choro em público.
Mas não sei o que houve, uma tristeza tão grande chegou no meu peito e me fez chorar compulsivamente. Não consegui parar, não tive controle.
Fui embora pra casa.

Eu chorava porque tinha muito medo de que a vontade de Deus não fosse a mesma que a minha. Acho que porque sentia que não seria.

E hoje, em mais um dia de espera pra saber se meu único embriãozinho passou pela análise, eu me vi assim. Com uma vontade imensa de chorar sem parar. A mesma tristeza infitina, o mesmo medo de não ser a vontade de Deus.

Quero dizer pra Deus, se ele não me ouve enquanto eu falo, que eu me entrego. Que entrego todo meu coração, porque não aguento mais esse sofrimento todo.
Meu coração dói a cada segundo que eu vivo.

Senhor, eu imploro. Me permita parar de sofrer, me deixe ser mãe.

01/03/2017

E o medo domina...

Minha punção foi na quarta feira pela manhã.
4 óvulos maduros.
Foi super tranquila. Eles orientam que se faça repouso o resto do dia, mas eu estava tão cansada de não fazer praticamente nada (já estava a semana toda em SP nesse esquema), que quis aproveitar pra passear um pouco com o marido.
Fomos ao shopping, olhamos algumas coisas e almoçamos por lá.
Não senti nada, o dia todo. A barriga inchou mais no final do dia, mas no dia seguinte já estava praticamente normal.

O HCG do Ovidrel também não me causou nenhum efeito colateral. Apenas algumas espinhas a mais. Não inchei, não ganhei peso, meus seios não doeram. Foi tudo infinitamente mais simples e meu corpo reagiu muito melhor do que na primeira FIV.

Só o resultado que não foi melhor. Até agora.

4 maduros. 24 horas de tensão: 3 fertilizaram. 48h de tensão: 2 desenvolveram bem em D3. 48h de muito estresse, acordando de hora em hora esperando o telefone tocar. Apenas 1 embrião se desenvolveu.

Ok, a embriologista tentou me animar: ótima qualidade, um blastocisto 4AA, perfeito. 
Já foi biopsiado e enviaram as células para análise.
E agora, tenho mais 7-10 dias nessa dúvida, esse medo cruel do meu único embrião não ser aprovado.

E aí, meu sonho do filho com a minha carinha, acaba.
Não tenho condições emocionais de fazer várias induções pra conseguir um ou dois embriões bons. Não sei como algumas meninas aguentam, mas pra mim, cada tentativa são dias e dias de sofrimento. 

Agora é esperar.
Se tudo der errado, juntar os pedacinhos do meu coração, que certamente estará despedaçado e recomeçar, com a opção da ovorecepção.
Mas até lá, vou rezar todo os dias pra que o JL (sim, tem nome, e a gente já tem certeza que é menino! rs...) seja forte, guerreiro, e queira muito nascer no meu ventre.

Logo trago mais notícias.
Um beijo,

21/02/2017

Na espera

Estou no sala de espera do consultório da minha médica. Reta final da indução, estou acompanhando com US diariamente e a punção deve ser na 5a feira.
Tudo correndo como o esperado. Que talvez seja o problema maior, porque o esperado era ruim.
No 2o US, a radiologista viu que apenas 4 foliculos estavam crescendo bem e mais 2 pequenos, que provavelmente não acompanhariam. E não acompanharam. Hoje, estou no 12o dia de induçao, com apenas 4 folículos.

Confesso que estou sem expectativa nenhuma.
No dia do 2o US, tive a sensação de que a minha chance já tinha acabado. Chorei 24h, chorei entre um paciente e outro, chorei muito sozinha na minha casa. 4 folículos é muito pouco.

Sei que eu preciso "só de um", mas no meu caso, devido ao mosaico, preciso de 1 blastocisto que passe por pgd e seja perfeito. Ou seja, é um caminho bem dificil de fazer.

Eu decidi que essa será a 2a e última tentativa de conseguir com meus óvulos. E se não der, parto pra ovodoação.

Não sei se estou preparada, mas simplesmente não dou conta de tanta tristeza e tantas frustrações. Eu quero muito ser mãr e viver essa dúvida está acabando comigo e me tornando uma pessoa muito infeliz.

Não sei o que esperar. Também não consigo mais implorar a Deus, porque Ele sabe dos desejos mais profundos do meu coração, mas também sei que Ele só faz as coisas no Seu tempo, que infelizmente é diferente do meu.

Mando notícias.
Um beijo e um bom carnaval a todos!

13/02/2017

Notícias

Até que enfim, deu certo de começar o tratamento.

Lógico que não poderia ser de forma muito calma e simples, porque daí seria outra pessoa.

Resuminho:

Tomei anticoncepcional por 20 dias. Parei 1 dia antes na certela, porque esperava menstruar na terça dia 07, o que não aconteceu. Menstruei na quarta, dia 08.

Dia 09 colhi meus exames - lindos!! Primeira vez na história que fiquei emocionada com o resultado de um exame: FSH 5,52 (menor da vida), LH 4, 56, estradiol 6,69 e progesterona de 0,41. Aco fez efeito!

Um dia por semana eu fico 13 horas em outra cidade, que por acaso, foi no segundo dia do ciclo! (Por isso torcia pra menstruar um dia antes...) Então, só consegui colher os exames às 6h da manhã e esperar ansiosamente o dia todo por eles...

Marquei o US pro dia 10, 3o DC.
Fiz com o mesmo médico que tenho feito todos os US, porque é mais fácil não ter que explicar a minha história todas as vezes.
Das últimas vezes, senti ele meio sem paciência, e até meio grosseiro, mas eu também estava meio sensível... O importante é que seja bom tecnicamente, então continuei com ele.
Só que ele fez meu exame em 5 minutos, não procurou os folículos, não me falou uma palavra. SEnti que foi "meia boca", mal feito mesmo.
Resultado? 5 antrais! Frustrante, ainda mais que no mês anterior tive 9.

Quis cancelar o ciclo, mas minha médica achou melhor não, porque meu FSH estava muito bom.

Optei por repetir o US com outra médica, que foi ótimo. 7 antrais (com possibilidade de mais) e fui bem tratada... Marquei os próximos com ela. Ufa!

E então, dia 10, no 3o DC, eu iniciei meu 2o tratamento. 300U de menopur + 100 mg de clomid.
Hoje será o 4o dia.

Estou relativamente calma.  A verdade é que não consigo ter esperanças, mas ao mesmo tempo não deixo de ter.

Perguntei pro meu marido se ele acredita que vai dar certo e ele disse que tem certeza.
Eu não consigo sentir nada, nem bom e nem ruim. Talvez seja melhor assim.

Farei os US dessa semana por aqui, e sábado pretendo ir pra SP.
Torçam por mim.


28/01/2017

E mais uma vez, os planos não deram certo.

Quando procurei a Dra. Daniella no início de dezembro, tinha esperança de começar a induzir ainda naquele mês. Não deu certo, foi um pouco frustrante, mas eu sabia que existia essa possibilidade.

Me programei direitinho, marquei todas as datas, troquei dias no trabalho, pra então, recomeçar em janeiro.
Só que como diz meu marido se eu planejei, provavelmente não vai acontecer.

No 3o dia do ciclo, fiz um US e os exames laboratoriais. O US foi bom e ruim ao mesmo tempo: 9 folículos antrais (o bom) e um cisto folicular de 24mm (o ruim).
Esse cisto poderia ser só um achado e ignorado, se ele não fosse responsável por explodir com o meu estradiol. De todas as vezes que dosei meus hormônios, nunca tive um resultado assim: estradiol 427. LH tbém estava aumentado, FSH 6 e pouquinho e progesterona 1,3.

Ou seja, nada ideal pra começar a indução.

Confesso que nos primeiros dias eu fiquei muito triste. Eu me organizei, programei a minha vida, fiz cronograma e contei os dias pra chegar essa nova indução.
Não deu certo.

A orientação foi iniciar anticoncepcional e ao final, quando a menstruação vier, repetir US e exames pra ver se normalizou. Se sim, aí um novo ciclo se inicia.

Isso já faz praticamente 2 semanas. Faltam 8 comprimidos na cartelinha do anticoncepcional, então em mais ou menos 10-11 dias eu menstruo. Mais uns 2 dias repito tudo e espero do fundo do coração que tudo tenha normalizado e eu possa recomeçar a FIV.


Me afastei um pouco da igreja, não tenho ido à celula. Mas isso não quer dizer que deixei de acreditar em Deus, só que nesse momento preciso desse tempo.
Continuo indo à psicóloga e acho que tem sido uma boa ajuda.
Essa semana comecei uma dieta, não para perda de peso, mas pra tentar ficar mais saudável. Deu muito resultado com uma Fivete que conheço, então resolvi arriscar. É difícil, mas é por um bem maior!

Um beijo,



04/01/2017

A mulher invisível

Ontem em mais uma conversa com a minha psicóloga, tentei explicar porque não consigo me abrir e desabafar com ninguém.

O fato é que nós, mulheres inférteis, somos praticamente invisíveis à população.
O primeiro motivo é que somos uma parcela muito pequena das mulheres e minorias costumam ser esquecidas.
O segundo motivo é que é algo tão fora do comum, que as pessoas simplesmente não conseguem entender a dor que isso causa. Cansei de ouvir todos os tipos de clichês como "é só relaxar que acontece", "faça uma viagem com o seu marido, para de pensar nisso".

Cansei de escutar que minha vida é boa demais e eu preciso focar em tudo de maravilhoso que Deus me deu e não só no que eu não tenho.
Escutei de uma pessoa até que bem legal que "ter filhos nem é tudo isso" - mas ela teve dois!
Outros dizem que é "tudo na hora de Deus".

Eu opto por não compartilhar meus sentimentos com muita gente. Tenho vergonha, me sinto vulnerável (no sentido ruim da palavra), exposta. Mas as vezes que tentei, também não deram muito certo. Ninguém entende. Acham que é bobagem, que é simples, que é drama. Que não tenho tantos motivos assim para sofrer desse jeito.
E daí, esquecem.

Me afastei do mundo. E em todas as vezes que considerei me reaproximar, me frustrei.
Há exatamente 1 mês, eu contei sobre a minha saga da adoção e que provavelmente tentaria nova FIV para duas amigas.
Ficou nisso. Nenhuma delas sequer tocou no assunto ou me perguntou se eu estou bem depois disso.
Claro que não estou, mas não vou pedir ajuda pra quem nunca ofereceu. Elas estão vivendo outro momento - uma com filho pequeno e a outra grávida e meu sofrimento é desagradável demais para esse momento de felicidade que elas vivem.

Ou seja, estou completamente sozinha nessa. Cada dia mais.


27/12/2016

2016 - um ano pra ser esquecido!

Esse título está como um rascunho de post há quase 1 mês.
Mas começo a escrever e travo.

2016 foi um ano muito ruim.
Incrível que eu esperei tanto esse ano chegar... Tinha tantos planos e tanta esperança de um ano lindo, cheio de amor, de realizações.
E nada deu certo. Nada.

Eu contei os minutos pra 2016. Porque esperava estar em casa, com meu marido, grávida, evoluindo profissionalmente e nada disso aconteceu.

O marido mudou. O filho não veio. A profissão não deslanchou.

A tristeza desse ano não me fez uma pessoa melhor. Me fez mais triste, mais amargurada.

E 2017 começa assim: sem grandes esperanças, com muito sofrimento e um aperto gigantesco no peito.

Será que um dia isso vai passar?

14/12/2016

Não consegui pensar num título para esse post.

A vida aqui continua, sem grandes novidades.

A maior delas é que finalizamos o processo para dar entrada na adoção, mas agora aguardamos sermos habilitados.
Depois da habilitação, demora alguns anos até encontrarem uma criança compatível, então, agora é só esperar. Literalmente.

Passei em consulta com a Dra. Daniella semana passada e resolvi sem dúvida nenhuma, fazer a próxima FIV com ela. Achei até que daria pra começar esse mês, mas a Huntington fecha entre o Natal e o Ano Novo...
Nesse ciclo minha menstruação adiantou uma semana, o que inicialmente me deixou super feliz e animada, achando que poderia iniciar a indução. Mas acabou que ficou pra janeiro mesmo.
O combinado é que posso iniciar a indução e os primeiros US por aqui e depois, lá pelo 8-9o dia, vou pra SP e fico até a coleta.
Depois preparamos o endométrio no próximo ciclo para a trasnferência, isto é, se eu tiver blastos aprovados após PGD.
Caso contrário, farei nova indução até conseguir pelo menos dois blastos aprovados. Ou considero o plano B, recepção de óvulos.

Tenho andado mais calma, mas mesmo assim não é fácil ver o mundo ao seu redor engravidando e você sem muita perspectiva. Depois de 19 ciclos, sendo que desses só 4 não fui tentante, acho que minha chance de engravidar naturalmente é quase nula. E não poder começar a FIV agora tbém me agonia bastante, parece que estou só deixando a vida passar, sem fazer nada.

Ás vezes me pergunto se rezo errado. Se não sei pedir. Mas aprendi a ser bem específica e ultimamente tenho detalhado exatamente o que eu quero: engravidar com os meus óvulos, ter uma gestação tranquila e um parto saudável e ter um bebê perfeito no meu colo ao final de tudo. Dá pra ser mais específica do que isso?
Tem dias que me sinto só mais cansada mesmo. De nada ser fácil, de ter que lutar e me esforçar por cada coisa na minha vida, mais ainda nesse momento.

Queria ter sorte, engravidar numa namorada do fim de semana, fazer um teste e ver as duas linhas, contar pra família toda logo sem medo. Queria me sentir completa, mulher completa. Mas me sinto pela metade, como se um pedaço importante de mim não funcionasse.

A essa altura da minha vida, esperava tudo muito diferente. Marido ao meu lado, sucesso profissional, pelo menos um filho me acordando durante a noite.
No final, o marido está longe, a profissão caminha a passos lentos e o bebê não veio.
Que 2017 seja bem diferente.


29/11/2016

Enfrentando a dor

Algumas coisas mudaram nesse período que fiquei longe do blog.

1. Comecei a fazer terapia. Encontrei uma psicóloga legal, que trabalha com terapia comportamental, que achei a linha mais adequada pro meu caso, porque eu simplesmente preciso desfocar de FIV e filhos. Só fui em 2 sessões, mas gostei. Ela fazer perguntas, questiona, me faz pensar. Espero que me traga resultados.

2. Eu tive uma semana inteira de felicidade. Sim, 7 dias de férias, desligada de FIV, sem o coração doer a cada minuto que pensava que não tenho filhos. Ao contrário, pela primeira vez em muito tempo, vi que não ter filhos tem lá seus benefícios - como ir nas montanhas russas mais horrorosas dos parques ou dormir literalmente a hora que o sono vem.
Fizemos uma viagem linda, feliz, animada. Me fez lembrar de como eu era feliz antes de toda essa história de (não) gravidez. Que a vida vai além de filhos, apesar de eu só conseguir enxergar isso.
Voltei com ânimo e força pra enfrentar a minha realidade. Se eu passei a considerar viver sem filhos? Jamais. Só aceitei que talvez demore muito mais do que eu esperava e que terei que encontrar formas de viver feliz até lá.

3. Demos entrada no processo de adoção. Marido fez o curso e hoje entreguei todos os documentos no fórum. Agora é aguardar estarmos habilitados.
Questionei sobre o tempo que demora após a habilitação: 3-4 anos. É tempo... Mas, o tempo vai passar de qualquer forma, então me resta esperar.

4. Marquei consulta com a Dra Daniella Castellotti e o Dr. Julio Voget, mas estou na dúvida se vou ou desmarco a consulta com o Dr. Júlio. O que pesa muito é que ele tem valores mais legais pra quem tem baixa reserva e precisa de mais de uma indução. Mas eu gostei demais da Dra Daniella e senti desde o primeiro momento que deveria fazer com ela... Acabei mudando de idéia pela facilidade em fazer quase tudo na minha cidade, mas acho que deveria tentar pelo menos uma vez com ela pra não me arrepender depois.
As consultas são na segunda feira, até sexta eu decido.
De qualquer forma, pretendo reiniciar meu tratamento ainda esse ano. Não sei se eles iniciariam uma indução entre Natal e Ano Novo, mas eu espero que sim, porque não quero perder muito mais tempo.


E é isso. Tenho visto tantas novidades boas nos blogs que sigo, espero de coração ter as minhas próprias pra contas logo logo!

Um beijo,